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Os melhores álbuns de 2009

Então, pessoal. Dia 31 tá chegando, por isso eu corri aqui pro meu querido blog pra registrar as melhores coisas que eu ouvi esse ano. A ordem não importa muito, mas é que com numerozinhos do lado fica mais bonito de se ver. Posso ter esquecido de alguma coisa, mas quando cheguei no número 20 achei que era hora de parar (olá, meu nome é Daniel e eu tenho TOC desde pequeno) pra ficar mais redondinho.

Enfim, 2009 foi um ano orgástico para os amantes da música, e nessa lista eu tentei representar um pouco de tudo que foi lançado (claro que enviesando um pouco pro meu irremediável lado indieota de ser). Quem tiver sugestões, deixa comentários. Quem tiver críticas, que as guarde para si. E assim a gente vai entrando em 2010, que promete ser mais um ano impressionante do ponto de vista auditivo (o novo do Beach House já tem lugar garantido na minha lista do ano que vem).

Aí vai o Top 20:

  1. Grizzly Bear – Veckatimest
  2. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
  3. Animal Collective – Merriweather Post Pavilion / Fall Be Kind EP
  4. Antony and the Johnsons – The Crying Light
  5. Girls – Album
  6. Camera Obscura – My Maudlin Career
  7. Atlas Sound – Logos
  8. Sunset Rubdown – Dragonslayer
  9. Dirty Projectors – Bitte Orca
  10. Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!
  11. Rodrigo y Gabriela – 11:11
  12. The XX – The XX
  13. Fever Ray – Fever Ray
  14. Amadou & Mariam – Welcome to Mali
  15. Wild Beasts – Two Dancers
  16. Califone – All My Friends Are Funeral Singers
  17. Vetiver – Tight Knit
  18. Bill Callahan – Sometimes I Wish We Were An Eagle
  19. James Blackshaw – The Glass Bead Game
  20. Bibio – Ambivalence Avenue

*emenda 1ª: Kings of Convenience – Declaration of Dependence

Soy Un Caballo – Les Heures de Raison (2007)

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Tentei por muito tempo, mas só agora consegui pôr as mãos nesse CD que é um dos mais bacanas que eu ouvi em tempos recentes. Lançado há mais ou menos um par de anos, Les Heures de Raison é uma pequena obra-prima da banda belga (apesar do nome) Soy Un Caballo.

São 12 canções pop talhadas à perfeição, exalando uma deliciosa combinação de chanson bossa nova pop minimalista com arranjos impecáveis e vocais que acariciam a superfície do tímpano, tamanha a limpidez e suavidade. Confesso que, assim que baixei o álbum (FBI, eu estou aqui), eu quase furei o disco (rígido) ouvindo ‘Volet’ (a belíssima segunda faixa) no repeat. Meu LastFM está aí pra provar.

E foi mais ou menos assim que eu passei a ter a seguinte crença central: EU PRECISO TER ESSE CD! Eis que, depois de mais de ano, finalmente acrescentei ele à minha coleção e estou aqui na tentativa de convencer o maior número de pessoas possível de que Soy Un Caballo é uma das bandas mais legais que tem por aí.

Bom, mas voltando ao disco. Além de ser um dos discos pop mais legais do mundo, Les Heures de Raison ainda conta com a participação do Bonnie ‘Prince’ Billy em uma das faixas (La Chambre) e é perfeito para caminhadas pelas ruas de Porto Alegre, para viagens de carro e como trilha sonora para fornicações leves.

Enfim, só posso recomendar infinitamente esse CD e esperar que eles lancem um novo em breve ou que apareçam por essas bandas dia desses.

Up (Pixar, 2009)

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Se eu fosse a Dreamworks, eu já teria criado vergonha na cara e recolhido a minha insignificância desde os tempos do primeiro Shrek. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso consegue perceber que a Pixar não tem concorrência no mundo da animação digital (ou não digital).

Apesar de a Disney ter sentido o cutuco e ter trazido os caras de volta para debaixo do seu guarda-chuva, e apesar da toda-poderosa ter praticamente forçado mais uma sequência de Toy Story goela abaixo como cláusula contratual, a Pixar ano após ano se supera, admiravelmente, em cada um de seus longa-metragens. Os caras estão tão além do resto da matilha, que o material deles só pode e deve ser comparado a outros filmes feitos com película e atores de carne e osso, muitos dos quais a Pixar supera com facilidade.

E com Up não poderia ser diferente. Mesmo não sendo o mais redondo e satisfatório roteiro já produzido pelo estúdio, ainda assim se mantém anos-luz à frente de qualquer coisa que a Dreamworks jamais sonhou em lançar.

Up é um drama. Como é costume nos filmes da Pixar, ao invés de apelar para piadas lamentáveis de humor físico (haha, o urso panda tropeçou; haha, o urso panda deu de cara na parede; hahaha, o ogro verde soltou um peido), a sutileza na animação e a elegância do roteiro roubam a cena e te transportam pra dentro do filme. Basta dizer que algumas cenas levaram muitos marmanjos às lágrimas (eu inclusive).

O design dos personagens (como sempre) não tem concorrentes. Depois de despertar a simpatia do público por carros falantes, ratos cozinheiros, robôs apaixonados, peixes e frutos do mar, os caras da Pixar optaram por correr o risco de escolher como protagonista, dessa vez, um velhinho viúvo e decrépito (dublado pelo Chico Anysio na versão brasileira, ainda por cima). O resultado (como sempre) é magnífico. E não apenas o senhor Frederikson, como todos os seus companheiros de cena são, do início ao fim, pura excelência Pixar.

Desnecessário dizer que sou um dos maiores fãs e puxa-sacos da Pixar (não, eu não ganho dinheiro por isso) e que recomendo esse filme a todos aqueles que ainda se encantam e se deixam comover por singelas histórias de velhinhos que saem voando por aí em balões, e por filmes que deixam aquela sensação que só a Pixar consegue deixar ao final da sessão.

Aviso de utilidade pública: segurar o choro pode ser prejudicial à saúde.

Antes de nascer o mundo – Mia Couto (2009)

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Pro pessoal que ainda não conhece Mia Couto, fica aqui uma ótima dica de leitura para as férias prolongadas por causa da gripe suína. Continuando a tradição de prolificidade do autor, este “Antes de nascer o mundo” está repleto de bons momentos, além do já característico (porém crescentemente amenizado) vocabulário neológico de Couto.

Quem decidir virar fã, pode escolher sem medo dentre a modestamente vasta obra do autor, pois não há um título que não valha pelo menos um pouco do seu tempo de leitura. Afinal de contas, Mia Couto é um dos melhores escritores de língua portuguesa da atualidade, segundo eu e várias outras pessoas inteligentes.

Já li quase tudo que ele escreveu e me orgulho de ter o português como língua materna, pois estamos falando de um autor que, uma vez traduzido, tem 50% do seu trabalho aniquiliado. Espero que, ao final da leitura, vocês também possam partilhar pelo menos um pouco da minha paixão. Fica a dica.

Antony and the Johnsons – The Crying Light (2009)

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Ainda me lembro bem daquela tarde no comecinho de 2005. Após esperar a tarde inteira pelo SEDEX, eis que eu finalmente  tinha em mãos uma cópia de I Am a Bird Now. Rasguei o plástico com os dentes, arranquei o lacre, e logo meti o CD no drive do computador. Depois que eu apertei o play, senti como se algo tivesse me golpeado pelas costas, baixei a cabeça e curti um pouco a minha fase emo.

A voz de Antony, já nos primeiros versos de Hope There’s Someone, havia me tornado um ser humano melhor. Ouvi o CD até o fim e, apesar dos míseros trinta e poucos minutos, aquilo me deixou em um tal estado de choque que eu cheguei a pensar “eu não sei se consigo ouvir isso de novo no momento”. Foi preciso recuperar o fôlego e recompor o estado emo em que eu me encontrava, para que eu pudesse, enfim, sorver toda aquela riqueza e sutileza melódica da forma apropriada em audições subsequentes.

Quatro anos depois, tendo Antony conquistado o merecido status de hors concours na cena musical americana, é de surpreender o fato de que The Crying Light consiga exercer o mesmo fascínio do que o álbum anterior. Her Eyes are Underneath the Ground começa com a marca (vocal) registrada deste ser pansexual tão carismático e talentoso que é Antony Hegarty: o vibrato. Como se a sua voz deliciosamente andrógina não fosse o suficiente para captar a atenção do ouvinte, estudos demonstram que quando Antony utiliza um vibrato, homens grandes choram feito menininhas pré-pubescentes.

O resto do álbum está repleto de algumas das melhores coisas que a pseudo-banda já gravou. A faixa-título arrepia partes muito íntimas do ser humano, e deve ser ouvida com cautela. One Dove e Daylight and The Sun fazem belíssimo uso de orquestrações para atingir o clímax. Epilepsy is Dancing é um pouco mais animada (ignorar o título de mal-gosto). É um CD para se ouvir inteiro, da primeira à última faixa, embora não seja indicado para pessoas depressivas com tendências suicidas. Os outros podem ouvir alegremente, se possível.

Momento inveja branca: no Tim Festival de 2007, no Rio, tive o prazer de assistir a (não apenas uma, mas) duas apresentações do Antony and the Johnsons, já que a trouxa da Feist pegou uma pereba lá e teve que ser substituída. E com um substituto desses… quem precisa de Feist? Foi bom demais. Teve até cover de Candy Says e tal.

Valsa com Bashir – Ari Folman (2008)

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Não tenho conseguido ir muito ao cinema este ano. O último filme que eu assisti foi Monstros vs. Alienígenas 3D, em meio a criacinhas queridas coisa mais bonitinha de Jesus, que questionavam aos pais o quê, o como e o por quê de tudo aquilo estar acontecendo, enquanto eu tentava aceitar o fato de estar parecendo um personagem rejeitado de Emmanuele – A Rainha das Galáxias.

Em compensação, o penúltimo filme que eu assisti foi Valsa Com Bashir, que, pra quem nunca ouviu falar, é uma animação quase 100% documental de um diretor que serviu ao exército de Israel durante a Guerra do Líbano.

Ari Folman (o tal do diretor), entretanto, não é apenas mais um judeu injustiçado (apesar de o primeiro terço do filme quase me convencer disso). Com muita sensibilidade e um estilo gráfico peculiar, Folman consegue juntar depoimentos reais, fragmentos nostálgicos (e outros nem tanto), e cenas reais na medida certa para que o filme não acabe pecando pela parcialidade e nacionalismo.

Vou deixar o filme falar por si mesmo. Mesmo assim, não posso deixar de observar que, ao lado de Grave of the Fireflies, este é um dos filmes de animação com temática de guerra que mais me impactaram até hoje. Quem se interessa por animações, por História,  ou por qualquer tipo de manifestação criativa do espírito humano, não pode deixar de assistir.

Grizzly Bear – Veckatimest

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Apesar de ter vazado na internet há dois meses ou mais, só hoje é que está sendo lançado este que eu considero um dos melhores álbuns do ano (fácil) e talvez da década. Exageros à parte, o material que os caras gravaram aqui é de uma genialidade e sensibilidade musical de fazer inveja a muita gente que acha que produz música hoje em dia.

Pra quem não sabe, o Grizzly Bear é uma das bandas mais relevantes da atualidade (para mim, pelo menos), cuja nova empreitada, este Veckatimest, pode ser considerada sua obra-prima (até agora). A versatilidade das faixas é de estourar a mente. As harmonias vocais são de arrepiar partes íntimas de marmanjos.  Tem-se a certeza de que tudo foi meticulosamente construído, embora nada soe forçado ou pretensioso em momento algum.

Ouça “Two Weeks” (música do ano) – com participação de Victoria Legrand (vocalista do Beach House, outra de minhas bandas favoritas) – e tente não se esvair em sorrisos. Depois ouça “Foreground” e lute para segurar a criancinha emo que existe dentro de você.

Não consigo exaltar suficientemente as qualidades deste CD. Portanto, façam um favor a si mesmos e comprem uma cópia, garantindo assim que o Grizzly Bear terá grana suficiente para gravar outra preciosidade como esta. Grato.